Faz uns anos que fui ao outro lado. Foi há menos tempo que tentei o outro lado.

Passou uma eternidade desde que nunca ouvi nada do outro lado. Parece que foi ontem a promessa de retorno. Ficará para amanhã o lamento.

No outro lado foram forjadas ilusões, pretensões daquilo que nunca esteve em cima da mesa. O tempo, também ele um outro lado, trás consigo a clarividência comprovada pela experiência e não deixa espaço para outras interpretações.

São vários e diversificados os outros lados que vamos conhecendo. Alguns físicos, outros nem tanto, alguns objectivos mas muitos nem tanto, por vezes reais por outras apenas por mim conhecidos. Tento deixar nesses outros lados os arrependimentos lá ganhos, mas nem sempre assim acontece.

Hoje sobra-me o outro lado da aldeia. Um lado ao abandono desde antes da minha presença na aldeia. Um lado que sempre lá esteve mas raramente visto. Um lado mesmo ao lado do lado por onde a minha vida passa. Uma constante da desde a minha adolescência que tem passado despercebida. Talvez o próximo outro lado me faça mudar de ponto de vista.


Encontramo-nos por lá.



No início era o verbo, depois a palavra.


Queria tanto explicar como, por vezes, é difícil juntar duas palavras, mas não consigo.


Fui, vi e adorei. Uma visita pela fábrica da 2 Corvos, uma conversa sobre o processo de fabrico de algumas das melhor cervejas produzidas em Portugal.


Era para ser uma Zine, depois não era para ser uma Zine, depois era para ser uma Zine, e saiu uma Isto não é bem uma Zine #1. O primeiro de um número incerto de volumes. Não bem uma Zine, não bem um livro, algo no meio, sem grandes preceitos ou ambições. Um tema, uma experiência. 

Isto não é bem uma Zine #1 - a insustentável leveza do Spritz, ou como recuperar a alegria de se andar perdido é uma viagem a Veneza, Itália. Como se fosse um dia na vida de, mas não sendo. Um passeio imaginário num local real, em que a história é palpável, as ruelas emanam carisma e os edifícios transpiram identidade. Vem conhecer ou relembrar uma das cidades mais emblemáticas na Europa.

a insustentável leveza do Spritz
ou como recuperar a alegria de se andar perdido
| 48 páginas
| preto e branco
| barba ao vento
| novembro 2017
| 25 exemplares
| 6€

Disponível a partir de 1 de Novembro de 2017. Reserva o teu exemplar.

Garantia que 100% dos lucros serão vocacionados para o próximo projecto Barba ao Vento.

Actualização: os exemplares a venda já esgotaram. Estarão alguns exemplares a venda na Feira do Livro de Fotografia de Lisboa.



Nem tudo foi perdido.



Olá Kodak,

Eu sou um gajo qualquer. Um gajo qualquer que durante algum tempo achou que seriamos BFFs para todo o F e mais além. Um gajo qualquer que te é absolutamente irrelevante. Um gajo qualquer que sempre te colocou em primeiro lugar, até agora.

Não estou zangado contigo, mas confesso que estou desiludido. 

Não sei se sabes, mas aqui em terras lusas um rolo de Ektar custa 9€. Se a isto adicionarmos o custo de revelação, sim sou menino e mando os rolos a cores revelar fora, a coisa sobe para 13€. Pouco mais de 1€ por imagem a 6x6. É um preço demasiado alto para brincar à lotaria dos fotogramas. Ektar era suposto ser uma das tuas melhor ofertas.

Porque me fazes isto? É porque te dou menos atenção? Ambos sabemos quem tem a culpa disso, não? Se não tivesses aumentado o custo do Tri-x tantas vezes em tão pouco tempo, não teria ido a correr para os braços da Ilford. Eu não quero esfregar sal na ferida, mas neste momento o Preto e Branco está bastante confortável no abraço da Ilford. Por enquanto somos felizes. Não vale a pena chorar por leite derramado.

E a cor?! Essa era tua. Mas tu não foste capaz de te controlar e pregaste-me estas partidas de mau gosto. Isto não se faz. É morder a mão de que te alimenta. Cuspir na sopa. Bater na avó. 

Eras o meu último bastião de cor. Quem me sobra? Fujifilm? Estes cancelam tudo sem um pingo de lealdade para com o consumidor. Film Ferrania? Estes são uns aldrabões de primeira, que 3 anos depois de ficarem com o nosso dinheiro ainda não produziram nada de película de cor. Lomo? CineStill? Lápis de Cera? Digital?

Vou ali fotografar em Preto e Branco e já volto.

Cumprimentos,

Gajo farto de receber rolos com o número do fotograma impresso na imagem.



Para os guias, Veneza é a cidade do Carnaval, de capa e máscara. Para os turistas é uma cidade carismática, repleta de história a cada esquina (e o que não faltam são esquinas). Para os Gondoleiros é uma mina de oiro. Para os donos dos restaurantes é um paraíso. E para mim? Bom para mim foi, em iguais partes, a cidade plana com mais degraus onde já tive e o triângulo das Bermudas, se o triângulo das Bermudas fosse na lagoa de Veneto e apenas fizesse desaparecer o dinheiro da minha carteira.

Um aviso para os que consideram visitar Veneza. Lá irão encontrar cerca de 392 pontes, mais ou menos umas quantas. Todas as pontes representam uns quantos degraus para subir e, normalmente, o mesmo número para descer. Pensem nisto quando estiverem a planear quantas malas devem levar.

Visto isto, preparem-se para andar perdidos. Dar uma volta ao quarteirão não vai resultar como é de esperar. O mais provável é atingir o estado normal naquela terra, que é andar perdido, principalmente se não quiserem dar parte fraca e voltar pelo caminho de onde vieram. 

No final do dia, andar perdido é do melhor que se pode fazer. Por campos, calles, foundamentos e salizadas. Por ruas estreitas e outras ainda mais estreitas. Sempre pela sombra dos prédios, apenas vendo o Sol quando em campos e praças largas ou nas margens do Grand Canal. É a melhor forma de conhecer a cidade.

E claro, é de beber um Spritz. Recomenda-se um de manhã, outro à tarde e um à noite. No entretanto se houver razão para tal, ou mesmo não havendo, não se acanhem de tomar mais um ou três. Dizer que o Spritz é uma das maravilhas de Veneza não é exagerar, é ser modesto em relação ao pequeno cocktail.


A edição deste ano do Web Summit está quase ai a bater à porta. Certamente que serão uns dias de maluqueira de apresentações, start-ups, e jovens adultos completamente fora de si atrás das grandes "marcas" e dos sonhos de sucesso, dinheiro e parceiros sexuais adequados às suas preferências.

Por acaso do destino, os negativos das fotos que fiz na edição de 2016 resolveram aparecer agora, talvez por acaso do destino, ou por motivos de arrumações. Eu diria que nunca vamos saber.

A edição do ano passado foi especial para mim, não pelo programa, pelos oradores ou por ter sido a primeira edição em Lisboa. Foi especial pois foi durante este evento que tomei a decisão de trocar a empresa onde trabalhei durante, praticamente, 10 anos por um novo desafio numa empresa com um perfil muito diferente, mas bastante apelativo.

Ficam as memórias.



Parece que o Zé descobriu o Youtube recentemente, mas na realidade são anos perdidos a ver coisas insignificante que, por um motivo ou outro, têm saltado dos confins da memória para o primeiro plano. E, num raro rasgo de vontade de fazer coisas, o Zé agiu. Levantou o rabo do topo da cristaleira, meteu-se na estrada e fez qualquer coisa pela vida.

Foi há uns anos que o Zé viu este vídeo do Borut Peterlin pela primeira vez. Na altura o primeiro pensamento foi "isto é parvo". Hoje essa continua a ser a opinião vigente, mas temperada com umas pitadas de "isto parece divertido" e duas colheres de chá de "que se lixe, deixa lá experimentar". Diz quem viu que o Zé parecia um puto numa loja de M&Ms. Folha após folha, não havia algodão que o saciasse, seringa que afogasse a voz que cantava na sua cabeça "só mais uma".

Não se preocupem, o Zé ouve muitas vozes, mas é um fofinho que é incapaz de fazer mal a uma mosca.

A abordagem foi similar à do Borut, mas mais simplificada. Aplicação de revelador localizado, espera, deixar escorrer e fixar. Repetir, repetir e repetir. Ao contrário do habitual, a repetição não nos traz melhoria mas diversidade. O acaso é um actor quase tão importante como o próprio Zé, mas não lhe digam nada porque ele tem um ego bem frágil e depois quem o atura sou eu.

Levem um pedaço de algodão, uma seringa, um cotonete ou outra forma qualquer para aplicar o revelador localmente e de forma tão controlada ou caótica quanto o vosso coração desejar, umas resmas de folha e umas horas para queimar no laboratório e saiam de lá com uma valente dor de pernas e uma mão cheia de coisas estranhas que só vocês é que vão apreciar. Mas pensando bem no problema derivado da questão, não é essa a vossa principal audiência?!

Peço desculpa pela tangente, esqueci-me do que queria dizer. Enfim, sejam simpáticos para o próximo e pelo amor de Cthulhu, usem phones quando ouvem música no comboio.



Não entendo o encanto das fotografias panorâmicas. Já tentei, mas sempre fiquei longe de entender a sua graça, ou de ouvi o seu apelo. Seja por não ter vistas grandiosas, amplas e magistrais no meu dia-a-dia, ou por considerar que a plasticidade de andar a coser imagens num software qualquer, este formato não me tem cativado.

Faz uns meses largos que vi um vídeo do Nick Carver, onde este fala sobre usar a sua 6x17 para fotografar uma cena na cidade. Não foram paisagens esplendorosas, ou localizações impossíveis. O tipo foi até ao parque de estacionamento da praia mais próxima e fotografou umas árvores.  Confesso que, por um lado fiquei curioso em experimentar, por outro raramente dou uso às minhas grandes angulares. Depois temos o preço pornográfico que uma máquina analógica de formato panorâmico custa. Então deixei a idea de molho.

Mas, eis senão quando, o Universo decide que eu devia mesmo experimentar o formato (isto é tudo balelas claro, mas precisava de uma justificação para gastar mais dinheiro na fotografia) e coloca um link para a Realitty So Subtle à minha frente. Uma pinhole de médio formato, a preço acessível, com formato 6x17? Tive de aproveitar claro. Dois meses depois (sim, o James só as faz de vez em quando) tive a oportunidade de, pela primeira vez na minha vida, fazer uma foto panorâmica. 

Para por este caixote a funcionar, primeiro é preciso superar os 12 trabalhos de Hércules. Depois é preciso carregar um caixote de acrílico mais um tripé, fotómetro e afins até ao destino. Tirar um curso em engenharia civil, para garantir que fica tudo nivelado ao milímetro, aplicar uns cálculos marretas para decidir qual a frame em que deveríamos estar e, se ainda sobrar energia, tirar uma foto.



São 4 por rolo e depois é preciso voltar à difícil tarefa de carregar um novo rolo. Eu disse difícil? Desculpem, queria dizer tortuosamente complicada, horrivelmente minuciosa, um castigo cruel e invulgar mesmo. Se não tiverem dedos anorécticos, preparem-se para uns longos e complicados minutos. Mas retirando isso da equação, a minha nova amiga é um gozo de usar. Para uma máquina esténoipeica tem uma definição bem interessante, afinal de contas os seus f233 foram minuciosamente furados a laser. O que a faz ser um pesadelo de carregar (plano de filme curvo) é o mesmo que faz com que a luminosidade entre os limites do fotograma e o seu centro seja tão equilibrada, o que é óptimo.

E no fim de contas, como foi a experiência? Foi muito interessante. As fotos saíram mais equilibradas do que pensava. Os guias de enquadramento no corpo do caixote resultam muito bem. Os seus 2 "obturadores" funcionam lindamente. Continuo sem entender o encanto deste formato, mas que tem sido divertido andar à sua procura, lá isso tem.
Piodão, a aldeia presépio, localizada no concelho de Arganil, na serra do Açor, foi o local do nosso último retiro.