Para os guias, Veneza é a cidade do Carnaval, de capa e máscara. Para os turistas é uma cidade carismática, repleta de história a cada esquina (e o que não faltam são esquinas). Para os Gondoleiros é uma mina de oiro. Para os donos dos restaurantes é um paraíso. E para mim? Bom para mim foi, em iguais partes, a cidade plana com mais degraus onde já tive e o triângulo das Bermudas, se o triângulo das Bermudas fosse na lagoa de Veneto e apenas fizesse desaparecer o dinheiro da minha carteira.

Um aviso para os que consideram visitar Veneza. Lá irão encontrar cerca de 392 pontes, mais ou menos umas quantas. Todas as pontes representam uns quantos degraus para subir e, normalmente, o mesmo número para descer. Pensem nisto quando estiverem a planear quantas malas devem levar.

Visto isto, preparem-se para andar perdidos. Dar uma volta ao quarteirão não vai resultar como é de esperar. O mais provável é atingir o estado normal naquela terra, que é andar perdido, principalmente se não quiserem dar parte fraca e voltar pelo caminho de onde vieram. 

No final do dia, andar perdido é do melhor que se pode fazer. Por campos, calles, foundamentos e salizadas. Por ruas estreitas e outras ainda mais estreitas. Sempre pela sombra dos prédios, apenas vendo o Sol quando em campos e praças largas ou nas margens do Grand Canal. É a melhor forma de conhecer a cidade.

E claro, é de beber um Spritz. Recomenda-se um de manhã, outro à tarde e um à noite. No entretanto se houver razão para tal, ou mesmo não havendo, não se acanhem de tomar mais um ou três. Dizer que o Spritz é uma das maravilhas de Veneza não é exagerar, é ser modesto em relação ao pequeno cocktail.











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