Eu gosto de ouvir os que os outros têm a dizer sobre o seu trabalho fotográfico. É quase como se um privilégio, não fosse a conversa beneficial para todos os participantes. Por preferência tendo a focar-me em trabalhos fotográficos, mais concretamente em trabalhos que se apresentam na forma de livro fotográfico.

Presenciar um autor a expor as suas ideias, motivações, expectativas, método, processo, vulnerabilidades e percurso é, quase sempre, interessante. Percursos por nós não percorridos, histórias, sentimentos ou até acasos, são confissões que raramente se ouvem no dia-a-dia. São nestes momentos de diálogo que conhecemos melhor o que levou ao aparecimento da obra.

Não que estes diálogos sejam sempre um bastião de honestidade e transparência, evidente que não, mas permitem conhecer outras facetas do autor. Habitualmente esse descobrimento acaba por nos aproximar mais do autor. Como em tudo, há quem se dê a ser conhecido e quem não o faça. Mas, salvo raríssimas excepções, considero o meu tempo bem empregue, quando aplicado a estes diálogos.

Confesso que nesta tentativa de chegar aos autores, sinto alguma frustração. Muito derivado da minha incapacidade de chegar aos eventos, ou á informação sobre os eventos, em tempo útil. Enquanto continuarem a agendar estes acontecimentos para dentro, ou adjacente, ao horário laboral, ou publicitarem dentro apenas de um grupo muito restrito de pessoas, continuarei a sentir esta frustração.

Malta, eu, e imagino outros tantos, quero ir aos vossos eventos, mas tenho de ganhar ordenado, e o patrão não me vai pagar se não vier trabalhar.
Malta, eu, e imagino outros tantos, quero ir aos vossos eventos, mas não consigo chegar a tempo se só vejo o evento de Facebook no dia seguinte, ou o artigo no P3 a dizer que “coisas e cenas aconteceram e foi fantástico”.
Malta, eu, e imagino outros tantos, quero ir aos vossos eventos, mas convém saber alguma coisa do autor. Sei que são todos indies e edgy e outras palavras em estrangeiro, mas no mínimo o nome da pessoa. Colocarem o nome do livro / exposição que vai estrear sem mais informação alguma, não me leva a travessar Lisboa de um lado ao outro para ir assistir a algo que não sei nada.

Sendo verdade que não se pode agradar a gregos e troianos, se tentarem agendar as apresentações para fora do horário laboral, publicar o nome do autor, ou melhor, link para o site / Facebook, e já agora, publicar o evento com alguns dias de avanço era excelente.

Se, como eu, apreciares estes encontros, dá um olhinho ao PhotoBook Club Lisboa, que mensalmente apresenta um trabalho / autor. O IPF e o MEF, muito esporadicamente, também potenciam eventos similares, mas sendo escolas, e em particular o IPF, são muito pouco convidativas a pessoas “estranhas ao serviço”. Por último, se não tens tempo, ou preferes algo que possas consumir no teu próprio tempo, nada melhor que o podcast The Candid Frame. É excelente, só não esperes ver lá muitos autores portugueses.

Não te esqueças de partilhar as tuas preferências para te encontrares com autores e ouvir o que eles têm a dizer sobre o seu trabalho.

A última oportunidade foi no passado dia 10/06/2018, no Palácio Pancas Palha, onde se realizou uma apresentação do Nuno Leão ao projecto que originou o livro dizer adeus às coisas, seguido de uma teoria da imagem (ou a performance do mundo). Livro de autoria do próprio Nuno Leão (fotografia) e Diogo Martins (ensaio). E foi um prazer ouvir o que o Nuno Leão trouxe para nos dar. Um orador nato com um projecto documental despretensioso sobre o nosso Portugal profundo.













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