Viajamos para o outro lado do mundo à procura de algo não quantificável. Ansiamos por mais. Passamos meses, ou mesmo anos a pensar nas culturas do outro lado do planeta. Planeamos viagens de uma vida. Queremos ficar tão longe do dia-a-dia quanto as nossas restrições orçamentais e temporais o permitem. Se for noutro continente melhor ainda.

Sou tão pecador como o próximo, se calhar mais ainda. Quando penso na próxima viagem, a mente vagueia imediatamente para os destinos mais exóticos e/ou distantes. Com raras excepções, o território português raramente aparece nas minhas preferências. Entra em cena a minha cara metade, que nutre um carinho muito grande pelo nosso cantinho à beira mar plantado, e que tem vindo a semear a ideia de conhecer o arquipélago dos Açores na minha cabeça.

Com os planos do imediato destroçados, apontamos as nossas atenções ao grupo ocidental dos Açores. Procurávamos distancia das multidões, das confusões, das filas, dos horários. Queríamos algo simples, descomplicado, despretensioso, acolhedor. Encontramos esse potencial no Corvo e nas Flores.

Logo à chegada fica evidente que o Corvo e as Flores são dois mundos diferentes. As ideias preconcebidas, principalmente sobre o Corvo, foram estilhaçadas pela realidade que encontramos. E o que encontramos foi em iguais partes diferente e cativante. O Corvo é um local para estar. Esquece a azáfama da caça dos postais para o Instagram, ou das praias paradisíacas para colocares no Facebook. Leva um livro, vai até à beira mar e passa umas horas fantásticas. Já as Flores troca o intimismo por inúmeras paisagens  naturais fantásticas.

Se pensas em visitar o Corvo, vai. Mas vai com tempo. Não que haja muito para visitar, tirando o Caldeirão e a Vila do Corvo em si, não existem mais locais a não perder. Mas leva tempo contigo. Tempo para estar com os Corvinos. Tempo para olhares para o mar. Tempo para passeares no nevoeiro. Tempo para a surpresa de uma valente chuvada no meio de um dia de Verão. Tempo para imprevistos.

















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2 comentários:

Arlindo Pinto disse...

O vazio... sabe tão bem!!!!

Rui Esteves disse...

Agradável abraço do nada.