Eu sou um ignorante. Está dito. Não digo isto com orgulho, mas não deixa de ser verdade. Felizmente existem pessoas muito menos ignorante que eu, que volta e meia, se dão ao trabalho de me chamar à atenção para obras deliciosas que doutra forma me passariam ao lado. O trabalho de Giacomo Brunelli é uma dessas situações.

O Eternal London é, talvez, o melhor exemplo do tipo de livro de viagem que gostaria de conseguir fazer. Mas – Interjetivas espantado sobre a incorrecção factual que acabaste de ler – O Eternal London não é um livro de viagem. E tens a razão do teu lado. Realmente não é. Mas é uma descrição sensorial e centrada na forma com o autor vive a cidade de Londres. Um pouco como o José Bacelar fala do seu Porto em (o)Porto, Giacomo fala da sua Londres recorrendo a uma poesia visual subjectiva, próxima e pessoal.

Aqui não vais ver o Parlamento, a ponte de Londres, o Big Ben, um bobby, um two-decker ou um café no Costa. Não no sentido de fotografia de turista ou snapshot. Vais sim encontrar uma visão muito pessoal, uma Londres anónima, taciturna, carregada de ambiente e estilo próprio.

Passam-se meses ou anos entre o acto da compra e o acto da leitura dos livros de fotografia. É um defeito, principalmente alimentado pela minha preguiça. Preguiça e ignorância, que combinação vencedora. Quando recebi o Eternal London li e reli e reli e reli ali, na hora, no sitio. A minha empatia pela obra foi imediata. O livro é fantástico. Vai mudar o mundo? Não. Vai mudar a forma em como olhamos para a vida? Não. Mas é pura poesia visual.

Se estiveres interessado no livro, recomendo vivamente que o compres directamente ao Giacomo. Ele é bastante simpático e acessível.


Título: Eternal London
ISBN: 1-90789-352-0
Edição: Dewi Lewis Publishing 2014
Tiragem: ?
Dimensões: 22.4 x 27.7 cm
Páginas: 56








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