Foi no dia em que concluiu 40 anos. Os convidados eram para lá de muitos, como aliás, é o seu habitual. A foto de grupo era a suposto ser a sua prenda, não que isso fosse o seu pedido, mas porque, quando dobrar a idade, será isso que lhe trará boas memórias.

Depois de várias tentativas em condensar todos os participantes num único ponto, e muitas explicações sobre como é que um caixote sem objectiva consegue fazer uma fotografia, estavam reunidas as condições para mais uma foto de grupo. Não se fala de arte, de projecto, mas de memórias, de momentos únicos e irrepetíveis.

2 segundos. Rápido para mim, uma eternidade para todos os outros. Não era suposto ser difícil. O carregamento veio feito de casa, era só encaixar no tripé, enquadrar, medir a luz e expor. E assim foi. Tudo verificado, imagem feita, mas assim que a película saiu do tanque, o fracasso estava evidente.

O fracasso está sempre a um momento de distracção de  distância. Uma acção mal executada, um argumento errado, a escolha de indumentária menos acertada, um pormenor e o sucesso escapa-nos das mãos. E vem por ondas. Se há alturas em que não há falha que nos importune, há outras que parece que é o pão de todos os dias.

Bom, hora de ir revelar o próximo artigo, a não ser que o meu "amigo" volte a aparecer e vá tudo parar ao lixo novamente.






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