O ponto de encontro é lá em cima, na Hortinha. Depois da altura do calor, lá pelas 18h. Leva qualquer coisa para beber, nós levamos as malhas. Que nem um par de ingleses, lá estávamos, à hora marcada, na Hortinha, prontos para um final de tarde a jogar à malha.

Aqui não se joga Chinquilho, mas malha. É a mesma coisa, mas cada terra tem os seus nomes para estas coisas. Três pontos o derrube, um ponto o mais próximo, joga primeiro quem fez o ponto. Equipes de dois, troca de lado ao fim do jogo. Simples, como tudo devia ser. Simples como tudo podia ser. Simples como quase nada o é, nem isto na realidade. 

Esperamos a chegada do Pedro, foi à piscina, já devia ter voltado mas ainda não deu sinal de vida. Enquanto isso bebemos uma cerveja, trocamos uns dedos de conversa circunstancial. Passam uns vinte minutos da hora, estamos prontos para volta para trás, mas antes que possamos tomar caminho, chega o Pedro, de cervejas na mão - "Vamos a isso? Chegaram cedo, não era só às 18:30?" - resmungamos, mas queremos mesmo jogar. 

"Alguém bateu à porta do Quim? As malhas dele são as melhor" - mas não, ninguém se lembrou disso. Jogamos com as malhas do Tonito. Não são más, mas balançam um pouco quando vão no ar.

Faz três anos desde que joguei da última vez. Tenho saudades. Nunca fui grande jogador da malha, pelo contrário, do pior que a terra tem para mostrar. Não que isso me impeça de ter vontade de voltar a tentar derrubar o malho, e falhar espectacularmente claro.

Entre tentativas, uns derrubes de parte a parte. Pedro e Tonito foram simpáticos o suficiente para não nos esmagarem. Um ponto aqui, outro ali. Começa a doer o ombro. Já lá vão quatro jogos. Eis quando chega a Lenka. Ela quer sempre experimentar as tradições da terra. Ela não é daqui, não tem pudor em experimentar os hábitos de homens. Faz ela muito bem.









Copyright © Rui Pedro Esteves 2018 Direitos Reservados

Sem comentários: