Era uma quarta-feira, estava mais quente do que o habitual para um dia tardio de Dezembro. Esteve para ser noutro dia, esteve para não acontecer de todo. Em cima da hora conseguimos conciliar as agendas e o resto foi um dos almoços mais interessantes dos últimos tempos.

Desta vez não fui eu a escolher o local. Fomos a uma das casas míticas de Lisboa, e visto que já estavamos perto das 13h, tivemos que esperar a nossa vez. Os primeiros lugares a vazarem foram ao balcão. Aproveitamos.

Com Cozido para dois e meio jarro de tinto abrimos as hostilidades. O objectivo deste almoço era falarmos sobre o "não vão daqui a pensar mal disto". Mais concretamente, de receber uma opinião analitica e crítica. 

Que tipo de perguntas já te fizeram sobre o livro? Como fizeste a sequenciação? Colaboraste com alguém? Como fizeste a maquete? Pensaste no livro quando fotografaste? Porque não incluiste válvulas de escape? Como encaras os momentos emotivos? Que vais fazer para a segunda edição?

Estas e muitas mais questões foram colocadas em cima da mesa, ou balcão neste caso. Muitas directamente direcionadas, outras subtilmente deixadas a pairar no ar. Algumas tinha respostas, para a maioria foram, e são, substracto para a reflecção.

Falamos de intencionalidade, de leituras paralelas, de inclusões e exclusões, de caminhos tomados e caminhos esquecidos. Questiaram-se oportunidades perdidas e aspectos concretizados. Discutimos produção e restrições, estabilidade e advercidade, tempo para esperar e tempo para agir.

Enquanto houve cozido houve conversa. Depois a vida intreferiu e as responsabilidades laborais falaram mais alto. Foi sem dúvida um privilégio conseguir alguem que se dispa de preceitos e se dedique aquilo que pode ser descrito como uma crítica honesta, construtiva e informativa. Não temos de aceitar ou sequer concordar, mas devemos reflectir. Dedicar tempo a estas questões que nos são expostas.

Fosse esta a primeira vez que tive o prazer de fazer este exercicio, ficaria admirado pela generosidade e disponibilidade da minha companhia. Não sendo, apenas deixo o meu agradecimento por estes momentos que me são muito valiosos.

Tendo dito isto, resta-me desejar a todos umas boas festas e um fantástico 2019.

PS: em Março / Abril uma nova publicação barba ao vento verá a luz do dia.













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