Estávamos em Fevereiro de 2019 quando passamos por Kiev a caminho do nosso destino. 

Foi a promessa de neve que nos levou a escolher esta altura do ano, e por umas semanas os relatórios metereológicos, teimosamente, indicavam uma alarmante falta de neve nesta região. Entristecidos, mas impotentes para alterar a situação, seguimos em frente com a viagem. À chegada somos presenteados com um manto branco que se estende até ao horizonte.

Estão três graus negativos à chegada, mas viemos preparados. Não é o frio que nos aflige, mas o calor. Os 22 graus positivos que marcam no termómetro à entrada do Hotel, no restaurante, na pastelaria, em qualquer lado. Um calor acolhedor que nos envolve e convida ao conforto. Mas que é uma vil promessa de algo inantingivel. Aquando da saida para a rua, amargurada com os seus três graus negativos, nos agride os pulmões. Aquelas primeiras lufadas de ar gelado parecem murros no peito. Pagamento pelos breves momentos de conforto.

"Merda, foda-se, caralho" é das primeiras interacções que temos com um local, que ao nos ouvir falar entre nós, deduzio a nossa origem e relembrou-se do pouco português que aprendeu no tempo que passou aqui no burgo. Foi talvez a interacção mais calorosa que tivemos na passagem por Kiev.

Em Kiev tudo é grandioso, os edificios, os passeios, as estradas, o caos, o frio, a vodka. Por todo o lado sentimos a presença da União Soviética. Aqui burucrata não é um insulto, é um bom trabalho. Exposições militares estão por todo o lado, de igual forma, pequenos altares a inúmeros falecidos também. As esculturas representam o povo de martelo e foice na mão e o exército investindo de espingarda em riste. Vitória escrito na base de cada peça estoica e imponente. 

Gostava de ter tido mais tempo, mas tal não se proporcionou. Kiev fica como um local interessante, merecedor de nova visita.

















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